sábado, 31 de julho de 2010

Reflexão sobre a Gamboa


No dia 12 de julho estive na gravação do "Samba na Gamboa", programa apresentado por Diogo Nogueira na TV Brasil.
O local, um antigo bar da rua Sacadura Cabral, têm aquele clima de uma certa tradição cultural da boemia carioca que nos remete ao passado. No dia que assisti as gravações tive a oportunidade de conhecer novos nomes do samba brilharem naquele pequeno espaço do Rio Antigo. Nomes como da bela e jovem flor do samba Juliana Diniz, neta de Monarco da Portela. Seu talento e vóz, grandes como sua simpatia, mais pareciam a confirmação de uma verdade cantada por Nelson Sargento: "Samba. Agoniza mas não morre. Alguém sempre lhe socorre antes do suspiro derradeiro."
Assistir nomes como Diogo Nogueira, Juliana Diniz, Aline Calixto, Alex Ribeiro e Marcel Powell mostrando seu talento na Gamboa é sentir que o samba de raiz é, e sempre será, eterno.
Naquela noite mágica entre jovens nomes surge Dona Jandira, rainha negra da velha guarda do samba. Uma senhora carinhosa de olhar doce e uma vóz forte que arrancou aplausos de todos (até mesmo de uma figurante que perguntava quem era Dona Jandira com ar de pouco caso). Quem se importa se Dona Jandira não é muito conhecida? O samba é assim, feito por pessoas humildes do nosso dia a dia, gente que pega o ônibus ou o trem e que trabalha em algum emprego comum para ganhar o seu sustento. Muitos são os exemplos disso como Cartola e Clementina de Jesus.
Admiro o programa "Samba na Gamboa" por ser um espaço precioso na mídia que dá rosto aos compositores, vóz para a velha guarda e oportunidade aos novos herdeiros do samba de raiz. Diogo Nogueira aos poucos está construindo um belo arquivo da memória do samba.
Em meio a toda aquela atmosfera, não pude deixar de pensar na Gamboa de outros tempos, seu brilho e declínio, sua história ainda contada pelas construções antigas das muitas ruas e becos. Penso na Gamboa do século XVIII, local por onde chegavam os negros vindos da África (chamados de "Pretos Novos") e na Gamboa do início do século XIX, local de chácaras e palacetes da aristocracia carioca.
Volto para o presente e penso na tão sonhada revitalização dos bairros da zona portuária da cidade. Será que o prefeito Eduardo Paes vai cumprir a promessa?
Imagino um bairro desses do rio antigo, brilhando mais uma vez.
Espero que nesse projeto de revitalização da zona portuária o prefeito não se esqueça de espaços importantes como o Centro Cultural José Bonifácio (único centro cultural no Brasil especificamente dedicado a cultura afro-brasileira) e do Instituto Pretos Novos (um sítio arqueológico, antigo cemitério de escravos vindos da África).
A Gamboa ainda tem muita história para contar, cantar e encantar.